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dona-redonda

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Desafio de Escrita dos Pássaros, 2.4 O Google está errado

redonda, 21.02.20

O Google está errado

 

Como o Google está errado???

 

O horror toma posse de mim.

Em choque e incrédula continuo a escrever.

 

Errado, o Mago super sapiente a quem recorro sempre em primeira e última instância?!!!

Quando quero saber mais sobre algum facto histórico, cinema, músicas, pinturas, livros, ter a certeza sobre como se escreve uma palavra – antes e após acordo ortográfico – traduzir de outra língua uma palavra ou um texto, dicas sobre receitas de cozinha, lavagem de roupa, doenças e medicamentos, perder tempo com notícias que não interessem a ninguém, encontrar o endereço para blogues, etc. etc. errado?!!!

Mas, Ele sabe sempre tudo!

 

Pequena pausa porque me ocorreu grande ideia, vou perguntar ao Google o que é Ele acha disto e já volto (…).

 

De volta e já mais tranquila: pode ter havido erros, mas o Google corrigiu-os e corrige-os.

Estamos salvos. Posso respirar de alivio de novo.

O Google pode errar de vez em quando, sublinhe-se, muito de vez em quando, de certeza, mas Ele corrige! Merece que continue a confiarmos Nele, a deixar-nos guiar por Ele!

 

Desafio de Escrita dos Pássaros # 2.3 Manual para iniciar relacionamentos

redonda, 14.02.20

Manual para iniciar relacionamentos

Para começar deite fora todos os manuais, inclusive este… mas só depois de o ter lido

REGRA PRIMEIRA, MAIS IMPORTANTE E ÚLTIMA

Não há regras, não há manuais.

Podem-se iniciar relacionamentos de mil e uma maneiras…

mas a ser assim…. então talvez se possa conservar algum manual ou manuais que se tenha, porque por sorte podem coincidir no que dizem com uma das mil e uma maneiras de se iniciar um relacionamento

(bem mais importante do que o iniciar, pode ser o como terminar ou como manter um relacionamento).

Em princípio, para iniciar um relacionamento poderá ser boa ideia não ficar em casa, excepto se a nossa casa for frequentada por alguém com quem queiramos iniciar um relacionamento, (mas o que estaria lá a fazer sem que tivéssemos já um qualquer relacionamento?)

Ocorreu-me agora que também se podem iniciar relacionamentos através da Internet. Como tendo blogues, participando em desafios de escrita, etc., e aí em princípio poder-se-á estar em casa.

Portanto ir lá para fora (esquecendo o que consta dos anteriores parágrafos) e estar disponível, arriscar, querer de verdade conhecer alguém que também esteja interessado em conhecer-nos (excepto se for um psicopata assassino)

Poderá ser o início de uma bela amizade.

Outras ideias, como ouvi hoje ou melhor ontem, arranjar um cão e ir passeá-lo, ir assistir a um jogo de futebol e dizer mal da equipe dos adversários, excepto se só tivermos conseguido um lugar no meio deles, e sair com amigos que trazem outros amigos.

Por fim, irei revelar aqui e pela primeira vez, a regra de ouro que nunca falha para se iniciar relacionamentos que é:

 (já não vai ser possível porque excederia o limite de palavras, só por isso)

Como consigo com grande sucesso assustar-me a mim mesma

redonda, 10.02.20

Algo que ninguém deverá pensar em experimentar fazer porque o susto é mesmo ENORME

 

Comecemos por ir ao El Corte Inglês antes do Natal.

Tudo normal, mas na saída informam-nos que não vai ser necessário pagar ou validar o talão, estão a oferecer o Parque (ou aquilo está tão cheio que é uma manobra para sairmos de uma vez e deixarmos que vão descansar).

Qualquer pessoa consciente deitaria o talão do parque fora, certo?

Claro que eu me esqueci de o fazer.

Em nova ida ao El Corte Inglês já em Janeiro, fui guardar no mesmo lugar na carteira o novo talão e na altura de pagar, troquei os talões sem me aperceber e eis que me aparece para pagar de parque:

285,00 €

quase que caí para o lado ali mesmo

(e fiquei ao mesmo tempo sem raciocinar minimamente porque ainda não tinha metido lá na ranhura o meu cartão El Corte Inglês mas na minha cabeça comecei logo a pensar que me iam debitar o dinheiro no cartão, em choque completo...entretanto, ainda não deitei fora o cartão de Dezembro, quanto é que será que iriam cobrar em Fevereiro?)

Desafio de escrita dos pássaros #2.2 É que isso de médicos, nunca fiando

redonda, 07.02.20

É que isso de médicos, nunca fiando

 

Em casa de ferreiro espeto de pau.

 O que fará um médico quando fica doente?

Vai ver a bruxa, marca uma consulta com o Prof. Mambdu ou assalta outro médico, onde calha de o encontrar, num restaurante, no meio de um jantar romântico (agora pelo dia 14/2) no elevador ou no parque de estacionamento escuro e vazio: “Colega tem um minuto? É que estou aqui com uma dorzita…”

Desconfio que serão como cada um de nós, de todas as cores e feitios, a evitar exames e consultas há não sei quanto tempo, mas já foram anos? Ou hipocondriacamente a correrem para novas consultas: este sinal aumentou 0,000002 mm, não será de fazer alguma coisa?

Talvez também cometam o erro de ir à net quando suspeitam de algo de outra especialidade,  e saiam de lá com a convicção profunda que, ao invés de uma maleita tropical apanhada sem dúvida nas férias do ano passado. ou no anterior, quando até foram a outro Continente (não o do Hipermercado), têm é cinco ou seis doenças inoperáveis e mortais.

E como serão os seus congressos? O que é que oferecem por lá? Férias e medicamentos? Ou um cafezinho em copo de plástico e por 0,70 €?

Será que há médicos a lerem isto?

Se por acaso assim for, tenho o maior respeito pela vossa classe, até poderia ter tentado ser médica (se a ideia de memorizar nomes de doenças, químicos, e procedimentos não me assustasse e ver sangue ainda mais – até quando doava não olhava) e estou anónima - e se algum souber quem escreve neste blogue, não sou eu, algum personagem estranho abeirou-se do computador enquanto eu dormia ao lado, sem me querer ir deitar antes de escrever o texto para o Desafio - escreveu isto e enviou, - que chatice! mas o importante é lembrar: não sou eu (mas conta para o desafio).

desafio de escrita dos pássaros #2.1 Acho que a coisa não vai correr bem

redonda, 31.01.20

Adoro conduzir

Excepto...

Se estiver a chover muito, com má visibilidade e lençóis de água;

Se estiver tanto vento que faz com que carro estremeça;

Se estiver tanto nevoeiro que ao mesmo tempo receio bater no da frente e levar com o que vem atrás;

Se não conheço o caminho;

Se apanho com o sol de frente;

Se é de noite, e está tudo escuro;

Se levo passageiros (gosto de dar boleias mas fico muito preocupada com a sua segurança e em não fazer nenhuma asneira à frente dele(s) como subir um passeio ao estacionar);

Se no Inverno o aquecimento de carro está avariado;

Se a rádio é que avariou e não tenho música;

Se está muito trânsito e passo o tempo em pára e arranque;

Se estou engripada ou constipada ou com dor de cabeça;

Se estou atrasada;

Se tenho de andar às voltas à procura de sítio para estacionar;

Se as ruas estão cheias de pessoas, muitas delas distraídas a atravessarem sem olhar;

Fora estas pequenas situações (para já o que me lembro) adoro conduzir!

 

MAS

 

Devo admitir que nem sempre foi assim e cheguei a pensar que nunca iria ter a carta de condução.

As aulas de código e o exame escrito correram bem, os dois exames, porque entretanto com dois chumbos na condução, prescreveu o primeiro e tive de o repetir.

Mas quando ia começar as aulas de condução e deparei com o meu Instrutor pensei para mim "acho que a coisa não vai correr bem".

Calhou-me um professor com certa idade, extremamente calado e que poderia já estar cheio de dar aulas, sobretudo a uma aluna sem jeito nenhum, como eu.

Fixei a expressão que mais utilizou comigo: "Mexa-me esses braços" - como nos estacionamentos, e eu até queria mexê-los só não sabia muito bem para onde virar o volante.

A única vez em que foi mais simpático, foi quando um condutor que incrivelmente seria mais azelha do que eu, veio contra nós e nos bateu. Nessa altura fui promovida da aluna incompetente a possível testemunha. Foi um momento lindo.

Entretanto, a coisa não correu mesmo bem porque chumbei no exame, mas consegui um professor mais simpático e... chumbei de novo. E à terceira, com um instrutor intermédio na simpatia, passei! (já não deveriam querer ver-me lá de novo e passaram-me).

 

Desafio de Escrita dos Pássaros, 17º Tema - Luz e sombra

redonda, 10.01.20

Luz e sombra

Para haver sombra tem de haver luz, senão cairíamos na escuridão, tão completa que nada conseguiríamos ver.

O tema fez-me pensar na pintura, em como através do sombreado se consegue o volume, a dimensão.

Desde criança que achava que conseguia desenhar alguma coisa (completamente iludida, claro). Ainda no liceu descobri uma casa na Rua Sampaio Bruno onde vendiam telas e tintas. Fui lá com a minha mãe pelo menos uma vez, outras vezes sozinha. Para se entrar, tínhamos de passar primeiro por um corredor barbearia, com duas ou três cadeiras onde o Barbeiro atendia senhores e não sei se não parava por lá também um engraxador, com a caixa de madeira com o assento para o cliente e lugar para guardar a graxa e escova.

Subíamos por degraus de madeira inclinados e lá em cima, numa sala pequena cheia de luz, estavam as telas e tintas, todas bastante caras, mesmo com o desconto de estudante.

Fui para as mais baratas e fiz alguns retratos em pastel. Depois tentei o óleo mas comprei uma única tela e pequenina. Tentei pintar um céu, mas não correu lá muito bem. Planeei pintar por cima alguma outra coisa, até hoje.

Bem mais tarde, inscrevi-me num atelier de pintura indicado por um amigo. Primeiro ficava em Leça, perto de uma Casa Museu que fui visitar. Depois mudaram-se para uma casa antiga no Marquês – também com degraus de madeira inclinados e uma sala com muita luz e cheiro a tinta.

Adorei as aulas sobretudo pelos professores e pelos colegas  - chegámos a ter um jantar com disfarces no dia das Bruxas e uma exposição pelo Natal.

Tentei pintar uma dona-redonda e não correu lá muito bem, e depois, a partir de uma fotografia, um auto-retrato, com um resultado final ligeiramente melhor (pudera, tinha a fotografia aumentada).

Talvez um destes dias volte a tentar pintar e me lembre da luz, da sombra e deste desafio.

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Tema # 16 Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

redonda, 03.01.20

Tema # 16

Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

Antes pensava como seria, agora há muito que já sei como foi, primeiro amor, conduzir, trabalhar, perdas.

Encontrei adultos com vinte anos e crianças com quarenta.

A vida acontece e o tema aplica-se bem a mim porque ainda não entendi o que é para fazer.

Os adultos que encontrei eram pessoas fortes e boas. Sobre a vida adulta é isso que devo tentar fazer e ser.

Bom Ano Novo!

redonda, 31.12.19

E que 2020 nos traga saúde, a companhia dos que nos são queridos, bons livros, filmes e séries, trabalhos interessantes, passeios e aventuras, comida e calor (e ar fresco no Verão) ou o que quer que seja que alguém que passe por aqui, deseje (e seja positivo)!


Resultado de imagem para copos e champanhe

Balanço dos livros de 2019

redonda, 31.12.19

Objectivos: ler pelo menos 100 livros (para justificar andar sempre a arranjar novos livros para ler), não largar os livros no início e ler livros melhores.

Consegui o 1º objectivo, o 2º só em parte e o 3º está-me a parecer que nem estive perto, mas assim é mais fácil eleger os melhores do ano: 

- Balada do Café Triste de Carson McCullers

- Cai a noite em Caracas de Karina Sainz Borgo

 

Para 2020: manter os mesmos objectivos e tentar não arranjar novos livros enquanto não diminuir um pouco mais a lista dos que já tenho para ler e reler alguns livros que no passado gostei mas que esqueci em parte.

 

Livros que li:

1)     The Merry Mistake de Vi Keeland e Penelope Ward

2)     Uma Obsessão Indecente de Colleen Mccullough

3)     Uma Verdadeira Inglesa de Eloisa James

4)     Uma Proposta Arriscada - The Wildes of Lindow Castle - Livro 3, de Eloisa James

5)     Shadowspell Academy K.F. Breen Shannon Mayer, Book 1

6)     O Castigo de Lady Evelyn de Silvia Spadoni

7)     O Que Sabe o Vento de Amy Harmon

8)     A Yuletide Kiss: A Warrior Maids of Rivenloch short story de Glynnis Campbell

9)     Epoch de Jewel E. Ann

10)  Transcend (Transcend Duet, #1 de Jewel E. Ann

11) O Comboio da Noite de Martin Amis

12) Beleza Perdida/Making Faces de Amy Harmon (r)

13) A Rapariga Sem Nome de Leslie Wolfe

14) Annabelle de Lina Bengtsdotter

15) Demon from the Dark/Demónio das Trevas de Kresley Cole (r)

16) A Paciente Silenciosa de Alex Michaelides

17) The Merman's Kiss de Tamsin Ley

18) Dearest Ivie de J.R. Ward

19) Falling for the Wingman Brincando de Amar (Livro 3 da série Os Irmãos Kelly) de Crista McHugh

20) The Jilted Earl/ O Conde Abandonado de Kelly Anne Bruce

21) O Herói Reluctante (The Reluctant Hero) de Lorraine Heath

22) As irmãs e o mar de Lucy Clarke

23) Her dad´friend de Penny Wylder (o)

24) The Bear's capture de Jenika Snow (o)

25) The Sum of all kisses de Julia Quinn (r)

26) A Noiva do Conde Louco de Loretta Chase

27) "Num molho de brócolos! ou A vida não pode ser só isto", escrito e ilustrado por Maurice Sendak

28) Cai a noite em Caracas de Karina Sainz Borgo

29) O Príncipe dos Canalhas ou Abandonada em seus braços de Loretta Chase (r)

30) Presente de Natal de Mary Balogh

31) The Risk de Elle Kennedy

32) Him de Sarina Bowen e Elle Kennedy

33)  Breaking Love de B.B. Reid

34)  Mil Estrelas e Tu de Isabelle Broom

35)  Sedução na noite de Sherrilyn Kenyon (r)

36)  Dança com o diabo de Sherrilyn Kenyon (r)

37)  À solta na noite de Sherrilyn Kenyon (r)

38) Telemóveis são uma loucura! de Helen Exley-Giftbook

39) I (Pretend) do de Eva Luxe

40) Na Sombra do Dragão de J. R. Ward (r)

41) Venha ver o pôr-do-sol de Lygia Fagundes Telles

42) Angelical de Nick Tartini

43) A Lotaria de Shirley Jackson

44) A Escolhida, Irmandade da Adaga Negra - Volume XV de J. R. Ward

45) A Besta, Irmandade da Adaga Negra - Volume XIV de J. R. Ward

46) Estação Central de José Tolentino Mendonça

47) Mulher de Fogo de Jude Deveraux (r)

48) Tamed de Emily Cale

49) Forever Black de Sandi Lynn

50) A Tentação do Casamento de Mary Balogh

51) Os Sombras de J. R. Ward (XIII)

52) O Rei de J. R. Ward XII

53) História do Rei Gonzalve e das Suas Doze Princesas e As memórias de Joséphine, de Pierre Louys

54) Poema do Manto de António Barahona e Ka'b ibn Zuhayr

55) Na Sombra da Paixão de J. R. Ward XI

56) Com os Olhos do Coração de Amie Knight

57) O Príncipe Corvo de Elizabeth Hoyt (r)

58) A Delicadeza de David Foenkinos (r)

59)  Longe da vista, perto do coração de Jean-Laurent Caillaud

60) Cartas da Alemanha de Hermann Braun

61) Na Sombra da Vida, Irmandade da Adaga Negra, Volume X de J. R. Ward

62) Amor Imenso de Penelope Ward

63) Bom demais para ser verdade de Kristan Higgins

64) Na Sombra do Perigo de J. R. Ward (Manello e Payne) IX R.

65) Na Sombra do Destino de J.R. Ward (8)

66) Na Sombra da Vingança de J.R. Ward (7)

67) Nanocontos de Francisco Gomes

68) Na Sombra do Amor de J. R. Ward (6)

69) Na Sombra do Sonho de J. R. Ward 5 (r)

70) Na Sombra da Noite de J. R. Ward, 1 (r)

71) Na Sombra do Desejo de J. R. Ward

72) Na Sombra do Pecado de J. R. Ward

73) Tempo fora do Tempo de Sherrilyn Kenyon

74) Histórias com Juízo de Mario Castrim

75) Na Sombra do Dragão de J.R. Ward

76) Cinder & Ella de Kelly Oram

77) Erika de Margotte Channing

78) O Casamento Inventado - Série Rokesby - Volume II, de Julia Quinn

79) A Ladra de J.R. Ward, Irmandade da Adaga Negra - Volume XVI

80) The Midwife de Ceci Giltenan

81) True de Laurann Dohner

82) Desconhecidos de Anita Brookner

83) Obsidian de Laurann Dohner

84) Mel E Propólis de Alexandra Inês

85) Lençol de Sonhos de João Paulo Silva

86) Pedro & Inês/Palavras Vivas / 15 Poetas Contemporâneos

87) Deste lado da morte ninguém responde de Pedro Sena-Lino

88) Mais Poste, menos Poste de Margarida Fonseca Santos

89) The Suitor de Mary Balogh (Philippa e Julian)

90) The Arrangement de Mary Balogh

91) A Menina que tinha medo do escuro de Janico

92) O Fanecas de Henrique Pinto

93) Almas ao Entardecer de Edith Wharton

94) O Dia em que o Mar Desapareceu de José Carlos Barros

95) An A to Z Creepy Hollow de Rachel Morgan

96) O Conto do Vigário de Fernando Pessoa e O sem-amor ou o major sem a serotonina de António Bento

97) Balada do Café Triste de Carson McCullers

98) Miniaturas de Paulo Kellerman

99) Raízes de Simões Netto

100)  Bejaia de Miguel Ribeiro de Almeida

101)  Acabou-se de Luísa Marques da Silva

102)  Sally de Jorge Candeias

103)  O Homem da Minha Vida de Risoleta C. Pinto Pedro

104)  A Fonte de Mafamede de Fernando Évora

105)  A Lua-de-mel de Sophie Kinsella

Os Ajudantes do Pai Natal

redonda, 24.12.19

Pelo desafio no blogue pessoas e coisas da vida

aqui: https://imsilva.blogs.sapo.pt/desafio-vos-38408?view=622344#t622344

 

Noite de Natal

 

A camionete chegou à hora marcada pela primeira vez naquele ano. Cansados no final de dia de trabalho e animados com a proximidade do Natal, ninguém estranhou. Não repararam que a camionete era mais verde por fora, mais limpa por dentro e o condutor, um gorducho barbudo desconhecido.

Lá dentro, pouco a pouco, foram todos adormecendo. Já não viram que não seguia o caminho habitual. Trocou as ruas iluminadas do centro da cidade por caminhos sombrios, desvendados apenas pela parca luz dos faróis.

O seu sono durou o tempo da viagem, escondeu a grande distância percorrida, e quando pararam, despertaram num mundo diferente.

O estranho barbudo riu-se: “Ho, Ho, Ho, vamos ao trabalho!”

Lá fora, outras camionetas chegavam e despejavam os passageiros no centro da fábrica. Ali as cores eram mais intensas e vibrantes, e cheirava a bolos saídos do forno

Era preciso acabar os brinquedos, empacotá-los e ordená-los, seguindo os desejos das cartas escritas ou meramente sonhadas.

Eram vários os condutores gorduchos e as suas barbas branqueavam quando envergavam fatos vermelhos e se dirigiam para os trenós, já com as renas atreladas.

Tudo pronto antes da meia-noite, regressaram às camionetes, mais cansados e animados.

De novo adormeceram, esqueceram o sucedido e o tempo recuou enquanto voltavam para a cidade. Foram saindo nas suas paragens com a vaga sensação de não recordarem algo importante.

José chegou a casa e lembrou-se mais uma vez que se esquecera de comprar a boneca que a filha queria. Fá-lo-ia noutro dia, talvez ela nem se lembrasse pensou, quando ela veio a correr ter consigo. Sentou-a no seu colo, meia de lado para poder beijar a mulher. Assim como estava sentada, descobriu a filha um embrulho diferente no bolso do casaco do pai. Ele ouviu-a rir, e sem perceber como era possível, viu-a então com a boneca nova que cheirava a bolos acabados de cozer.

 

Desafio de Escrita dos Pássaros, 15º Tema - Eu, Rudolfo

redonda, 20.12.19

 

O dia anunciava-se cinzento e pesado, em vez de branco e leve.

Mais de mil candidaturas que reduzi a três. Todos os outros me tinham parecido pouco sérios ou desesperados, não acreditaram na oferta e resolveram brincar, ou estavam dispostos a aceitar tudo. Os três que restavam eram humanos. Apesar de ser uma rena e não querer discriminar os meus pares, não conseguia ver os meus colegas ou qualquer outro na função do Pai Natal.

Disse para mim mesmo, Rudolfo, enquanto recrutador de recursos humanos, tens pela frente, uma tarefa quase impossível, encontrar um substituto para o insubstituível Pai Natal. Mas porque decidiu reformar-se? E tão em cima do Natal…

Escolhi homens gordinhos, para o idoso, com cabelos já brancos ou quase e para o comprido e barbas nas mesmas condições.

Pelas fotografias que enviaram não dava para ver se seriam afáveis e despachados, e como seria a sua voz, se seriam capazes de pronunciar o “Oh, Oh, Oh” como devia ser pronunciado.

Entrei na sala onde me esperavam. Não pareceram surpreendidos por me verem, nota positiva para eles, até perceber que não viam era muito bem.

O primeiro tinha enviado uma fotografia antiga, já não tinha barba, cabelo ou barriga. Rejuvenescera, explicou ter feito também uma cirurgia para os problemas de calvície e novo cabelo estar para crescer.  Sem nada lhe ter perguntado anunciou pretender reinterpretar o Pai Natal aparecendo como alguém comum, máscara de meia na cara, e sem brinquedos. Despachei-o logo. Desconfio que ele pretenderia era assaltar as casas.

Pedi ao segundo para entrar. Parecia estar tudo bem com ele. Estava disponível na Noite de Natal porque se divorciara, os filhos estavam crescidos, já não acreditavam, tinham emigrado para a França e Alemanha, com grandes empregos e carros, só regressavam no Verão. Pedi-lhe para repetir o Oh Oh Oh, e fê-lo de forma tão desanimada que tive de o rejeitar.

Entrou o último. Apercebi-me que era um urso disfarçado. Respondeu estar disponível, conseguiu um Oh Oh Oh mais animado embora ligeiramente assustador.

 Fiquei com o seu contacto para apresentar a sua candidatura ao Director Geral, Pai Natal, enquanto não se reforma, ele que decida…

 

Desafio de Escrita dos Pássaros, 14º Tema - Não nasci para isto

redonda, 13.12.19

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(a fotografia não tem nada a ver com  o tema mas pareceu-me que ficava aqui bem)

Não nasci para isto Isto de inscrever-me em desafios de escrita e postergar.

Li o email com o novo tema quando chegou. A recuperar de pouco antes ter escrito e enviado o anterior, pensei para mim mesma, tenho muito tempo.

Passou o fim-de-semana, passaram, segunda, terça, quarta, quinta e como é possível, já está a começar sexta. Para onde é que foi todo aquele tempo que tinha?

E não me ocorre nada ou o muito pouco que me ocorreu, escorreu do papel/ecrã do computador, quando por um micro-segundo adormeci.

Vai que dá tempo e escrevo amanhã. Posso acordar mais cedo (adivinho que tal não vai suceder, são quase 2 e ainda não me fui deitar). Posso não almoçar (também não me parece que não o vá fazer, para não andar depois a arrastar-me, e ainda que num atropelo, pelo menos um pão com queijo e um café).

Por isso, tenho de escrever alguma coisa agora:

 

- ALGUMA COISA

 

Pronto, perfeito. Com a grande vantagem de ser ainda muito esclarecedor, ao escrever um texto assim, não restará nenhuma dúvida, que não nasci para isto.

Desafio de Escrita dos Pássaros, 13º Tema: Final Feliz ou Qual é o filme?

redonda, 06.12.19

Desafio 13 -  Final feliz ou Qual é o filme

 

 

Ela voltou atrás e salvou-o, na confusão são separados mas reencontram-se na água gelada, ele em cima de porta-prancha na qual flutuava, quer ceder-lhe o lugar, mas ela diz-lhe: "cabemos os dois".

E então, lado a lado, ou ele por cima e ela por baixo, ou ela por baixo e ele por cima, assim até mais quentes, aguentam-se os dois em cima da prancha, durante a noite, até chegar ajuda!

 

(depois casaram, tiveram sete filhos, zangaram-se e reconciliaram-se, foram muito felizes e nenhum dos dois voltou a fazer uma viagem de barco....)

(o filme ligeiramente diferente, teve grande impacto na mesma, com o my heart will gone a servir para outros que se separaram, mas não porque não se salvaram, apenas porque sim, e a cena no barco em que ele é o rei do mundo continuou a ser copiada mil uma vezes).

 

Desafio de Escrita dos Pássaros, 12º Tema Aqueles Pássaros não se calam

redonda, 29.11.19

Aqueles pássaros não se calam

 

 

Algo de estranho se passava.

Mas não se apercebeu logo.

Chovia e queria era chegar depressa a casa.

Andava assim em passos largos, às vezes tortos, para contornar poças de água, ou afastar-se da berma, quando se apercebia da aproximação de mais um carro acelerado e descuidado, que na passagem projectaria água para os lados, num autêntico chuveiro, sujo e gelado.

Porque anoitecia, já passara a hora de ponta, e deixaram de passar carros, conseguiu ouvir melhor outros barulhos, menos absorventes e ruidosos

Eram sons familiares: o chilrear de pássaros.

Muitos pássaros.

Sons comuns na Primavera e Verão, mas estavam no meio do Inverno…

Procurou e localizou os sons. À sua frente, do lado direito, sobre o telhado de uma casa e nos fins de electricidade ou telefone. Eram às dezenas.

Mas não deviam ter emigrado?

Quando os viu, sentiu que também o viam.

Apeteceu-lhe dar meia-volta para não passar por eles. Lembrou-se do filme de Hitchcock. Forçou-se a continuar quando queria era dar meia volta e regressar a donde viera

Pareciam agora indiferentes à sua passagem, mas não se calavam.

Estava já perto do seu destino. Acelerou ainda mais os passos até passar a correr. Esbaforido entrou em casa e foi espreitar à janela.  

Os pássaros continuavam lá.

Se abrisse a janela, além do vento e chuva, iria ouvi-los, sem dúvida.

Foi então que como se obedecessem a ordens, qual exército disciplinado, se ergueram todos em voo. Dirigiam-se para onde estava. Pensou; o que faço? Não tenho tempo de fechar as portadas. Será que se vão projectar contra o vido? Deveria esconder-me num armário?

Em voo rasante passaram por ele.

Respirou aliviado. Deveria ser um esquadrão atrasado, mas que agora seguia para outras paragens.  Talvez se tivessem demorado mais porque se tinham perdido na conversa. Em vez de planos de viagem, teriam abraçado outros temas, como desafios de escrita, e humanos estranhos, como ele.

 

Desafio de Escrita dos Pássaros, 11º Tema: Um dia na vida de Spassky

redonda, 22.11.19

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Acordo e saio para passeio matinal com humano ou humana a meu cargo. Adoro passear e quero sempre ir, mas não gosto lá muito quando chove.

No regresso levam-me para casa da avó porque vão trabalhar. Sei que ela é frágil e não pode levar-me a passear por isso em casa dela sou menos efusivo e farto-me de dormir. Ela tapa-me com uma mantinha.

Vêm-me buscar ao final do dia, às vezes humana traz a irmã (a tia, que está a escrever por mim) e  fico super entusiasmado quando os vejo, damos uma pequena volta ali perto e seguimos de carro para casa. Vou bem atento ao que se passa ao redor, e às vezes zango-me quando vejo algum dos meus inimigos na minha zona.

 A seguir como – comida de uma latinha, sempre pouca, poderia comer muito mais, e vamos passear. Aproveito para marcar território e socializar sobretudo com algumas cadelinhas. Ao jantar deles, peço, mas não me dão comida, só de vez em quando alguns biscoitos, poucos. Estou super atento para apanhar alguma coisa que possa cair ao chão, até guardanapos de papel, mas depois é uma luta para os conseguir comer.

 Percebo bem o que me dizem, mas normalmente gosto é de fazer a minha vontade, como seguir à frente nos passeios, e parar quando querem regressar, e posso até dificultar quando resolvem levar-me ao colo para casa, depende. Normalmente ganho muitas festas de todos, não percebo é porque não entendem que quero biscoitos quando fico a olhar fixamente para o lugar onde os guardam…

Desafio de Escrita dos Pássaros, 10º Tema: Já chegámos, já chegámos?

redonda, 15.11.19

- Já chegamos, já chegamos?

- Ainda não, mas não perguntaram ainda há pouco? Respondia pacientemente a minha mãe.

Olho pela janela. Sabia que ainda não tínhamos chegado, que faltava ainda muito, tanto! Uma das minhas irmãs dormia, a outra também parecia que ia adormecer, mas eu permanecia acordada (ao meu lado, a minha boneca Joaninha, que levava para todo o lado, e tinha inclusive uma pequena mala improvisada, com um pijama e dois vestidos: um azul feito pela minha avó e um com bolinhas amarelas, feito pela costureira de um retalho de tecido). Pela janela do lado direito via ora a estrada, ora os carros com que nos cruzávamos, pela do lado esquerdo, árvores, erva, monte. A paisagem ia mudando. Primeiro, muitos edifícios, depois só algumas casas, árvores altas e verdes, depois também rareavam as árvores, via mais erva e monte, espaçadas as oliveiras, e restos de incêndios, chagas castanhas e despidas no meio dos montes.

Os meus pais pareciam concentrados na viagem, o meu pai na condução, a minha mãe em mil e uma coisas para que tudo corresse bem.

Mais perto, sentíamos o cheiro das estevas – não havia ar condicionado, pelas janelas entreabertas entrava calor.

Sabia que quando chegássemos à aldeia, iria reencontrar os meus avós, alguns primos e primas que não reconhecia, e o meu pai iria rejuvenescer no papel de filho.

Por lá estava também a burrinha, que a minha irmã mais nova iria querer logo ver, os biscoitos em argola, o pão de trigo, a lareira, o chão da casa com tabuas compridas e não muito direitas, o silêncio à noite, e o cantar do galo de madrugada.

Queria hoje poder fazer essa viagem, o durante, enquanto não chegamos e o depois, vivo-o nas recordações.