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dona-redonda

dona-redonda

desafio de escrita dos pássaros #2.1 Acho que a coisa não vai correr bem


redonda

Adoro conduzir

Excepto...

Se estiver a chover muito, com má visibilidade e lençóis de água;

Se estiver tanto vento que faz com que carro estremeça;

Se estiver tanto nevoeiro que ao mesmo tempo receio bater no da frente e levar com o que vem atrás;

Se não conheço o caminho;

Se apanho com o sol de frente;

Se é de noite, e está tudo escuro;

Se levo passageiros (gosto de dar boleias mas fico muito preocupada com a sua segurança e em não fazer nenhuma asneira à frente dele(s) como subir um passeio ao estacionar);

Se no Inverno o aquecimento de carro está avariado;

Se a rádio é que avariou e não tenho música;

Se está muito trânsito e passo o tempo em pára e arranque;

Se estou engripada ou constipada ou com dor de cabeça;

Se estou atrasada;

Se tenho de andar às voltas à procura de sítio para estacionar;

Se as ruas estão cheias de pessoas, muitas delas distraídas a atravessarem sem olhar;

Fora estas pequenas situações (para já o que me lembro) adoro conduzir!

 

MAS

 

Devo admitir que nem sempre foi assim e cheguei a pensar que nunca iria ter a carta de condução.

As aulas de código e o exame escrito correram bem, os dois exames, porque entretanto com dois chumbos na condução, prescreveu o primeiro e tive de o repetir.

Mas quando ia começar as aulas de condução e deparei com o meu Instrutor pensei para mim "acho que a coisa não vai correr bem".

Calhou-me um professor com certa idade, extremamente calado e que poderia já estar cheio de dar aulas, sobretudo a uma aluna sem jeito nenhum, como eu.

Fixei a expressão que mais utilizou comigo: "Mexa-me esses braços" - como nos estacionamentos, e eu até queria mexê-los só não sabia muito bem para onde virar o volante.

A única vez em que foi mais simpático, foi quando um condutor que incrivelmente seria mais azelha do que eu, veio contra nós e nos bateu. Nessa altura fui promovida da aluna incompetente a possível testemunha. Foi um momento lindo.

Entretanto, a coisa não correu mesmo bem porque chumbei no exame, mas consegui um professor mais simpático e... chumbei de novo. E à terceira, com um instrutor intermédio na simpatia, passei! (já não deveriam querer ver-me lá de novo e passaram-me).

 

Desafio de Escrita dos Pássaros, 17º Tema - Luz e sombra


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Luz e sombra

Para haver sombra tem de haver luz, senão cairíamos na escuridão, tão completa que nada conseguiríamos ver.

O tema fez-me pensar na pintura, em como através do sombreado se consegue o volume, a dimensão.

Desde criança que achava que conseguia desenhar alguma coisa (completamente iludida, claro). Ainda no liceu descobri uma casa na Rua Sampaio Bruno onde vendiam telas e tintas. Fui lá com a minha mãe pelo menos uma vez, outras vezes sozinha. Para se entrar, tínhamos de passar primeiro por um corredor barbearia, com duas ou três cadeiras onde o Barbeiro atendia senhores e não sei se não parava por lá também um engraxador, com a caixa de madeira com o assento para o cliente e lugar para guardar a graxa e escova.

Subíamos por degraus de madeira inclinados e lá em cima, numa sala pequena cheia de luz, estavam as telas e tintas, todas bastante caras, mesmo com o desconto de estudante.

Fui para as mais baratas e fiz alguns retratos em pastel. Depois tentei o óleo mas comprei uma única tela e pequenina. Tentei pintar um céu, mas não correu lá muito bem. Planeei pintar por cima alguma outra coisa, até hoje.

Bem mais tarde, inscrevi-me num atelier de pintura indicado por um amigo. Primeiro ficava em Leça, perto de uma Casa Museu que fui visitar. Depois mudaram-se para uma casa antiga no Marquês – também com degraus de madeira inclinados e uma sala com muita luz e cheiro a tinta.

Adorei as aulas sobretudo pelos professores e pelos colegas  - chegámos a ter um jantar com disfarces no dia das Bruxas e uma exposição pelo Natal.

Tentei pintar uma dona-redonda e não correu lá muito bem, e depois, a partir de uma fotografia, um auto-retrato, com um resultado final ligeiramente melhor (pudera, tinha a fotografia aumentada).

Talvez um destes dias volte a tentar pintar e me lembre da luz, da sombra e deste desafio.

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Tema # 16 Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer


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Tema # 16

Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer

Antes pensava como seria, agora há muito que já sei como foi, primeiro amor, conduzir, trabalhar, perdas.

Encontrei adultos com vinte anos e crianças com quarenta.

A vida acontece e o tema aplica-se bem a mim porque ainda não entendi o que é para fazer.

Os adultos que encontrei eram pessoas fortes e boas. Sobre a vida adulta é isso que devo tentar fazer e ser.