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dona-redonda

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Desafio de Escrita dos Pássaros 03 - #3 - O número errado


redonda

 

Felizmente colocara o telemóvel no modo de silêncio quando se fora deitar, e só quando se preparava para o recolocar em normal é que se apercebeu do grande número de chamadas e mensagens.

A maior parte de números ocultos. Mas o que se passaria?

Foi ler algumas das mensagens. Todas falavam em combinar encontros e perguntavam preços.

O que se passaria?

Resolver ligar para um dos números não ocultos e desconhecidos. Uma voz de homem respondeu. Parecia um pouco incomodado. Aquela não era a hora certa para falarem, estava a trabalhar. Poderia ligar-lhe mais tarde? Mas foi ele que ligou para ela e às três da manhã! Daquele não conseguiu mais nada. Passou para o seguinte. Não atendeu. Já suspeitava que o seu número poderia por engano ter sido indicado nos anúncios que aparecem em alguns jornais com fotografias sugestivas de mulheres despidas.

As mensagens e os toques continuavam, mas a ideia daquilo que a esperaria se atendesse, não a incentivava a fazê-lo. Encheu-se de coragem, premiu a tecla verde de lá, uma voz masculina perguntou‑lhe “Olá linda quando podemos encontrar-nos?”. Não conseguiu responder e desligou.

 Olhou para o telemóvel a vibrar com as chamadas.

- Não aguento mais contigo! - afirmou, enquanto o atirava para longe.

Contudo, passado pouco tempo não resistiu a ir procura-lo. Tivera sorte, não se estragara e continuava vibrante.

Mais tarde conseguiu que no mesmo jornal publicassem rectificações do número, mas durante algum tempo ainda foi procurada pelos clientes da “Quente e solitária”.

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