Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

dona-redonda

dona-redonda

Desafio de escrita dos pássaros #3 Uma aventura ou momento marcante

redonda, 27.09.19

Quando a minha avó morreu, a minha mãe teve de tratar de tudo para entregar a casa ao senhorio. Um apartamento num prédio na Av. Duque d’Avila que já foi deitado abaixo.

Nessa altura fizemos várias viagens a Lisboa, de comboio ou de camionete.

Para a minha mãe deve ter sido muito difícil e triste, para mim, havia algo de aventura e a morte não era ainda bem real.

Em Lisboa alguns taxistas suscitaram o problema mas aceitaram levar-nos aos cinco, o meu pai à frente e atrás a minha mãe, muito elegante, e as três filhas, a minha irmã mais velha com catorze anos, e eu e a minha irmã mais nova com onze e nove anos, ainda bem miúdas e magrizelas.

Nos Mercedes Táxi cabíamos perfeitamente.

Numa noite em que regressámos de camionete esperamos muito tempo até chegar um táxi e aqui, no Porto, o motorista foi peremptório, não nos levava aos cinco.

 O meu pai disse então que iria a pé, até porque tendo levado tanto tempo até chegar um táxi, não faria muito sentido ficar o mesmo tempo ou mais à espera do próximo.

A minha mãe não queria que ele ficasse sozinho, mas com três filhas e as malas, não via como irmos todos a pé.

Aí, eu disse que ia com ele. O táxi afastou-se com a minha mãe, as minhas irmãs e as malas e nós iniciámos o passeio.

Era bem tarde e não se via ninguém pelas ruas, mas não senti receio, dei a mão ao meu pai, tentei acompanhar os seus passos e conversámos até chegarmos a casa.

Lá havia luz e a minha mãe tinha feito torradas e café com leite para comermos.

Senti-me feliz por ver que a minha mãe tinha gostado que o meu pai não fosse sozinho, ter conseguido acompanhar os seus passos e estarmos depois todos juntos, em casa, a cearmos as torradas e o café com leite.

8 comentários

Comentar post